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03/09/2021 as 09:32

Filme de Sorrentino 'A Mão de Deus' é ovacionado em Veneza

Produção revive juventude do cineasta durante a 'era Maradona'

Agência: Ansa
Foto: Ansa / https://ansabrasil.com.br/ansausers/brasil/flash/cultura/2021/09/02/filme-de-<?php echo $paginatitulo ?>

O filme "A Mão de Deus", do cineasta italiano Paolo Sorrentino, estreou nesta quinta-feira (2) no segundo dia da 78ª edição do Festival de Veneza, que acontecerá até o próximo dia 11 de setembro.

A produção, uma das cinco italianas em disputa pelo Leão de Ouro, foi ovacionada e muito elogiada pela crítica, assim como "The Card Counter", de Paul Schrader, outro competidor extremamente aguardado.

Com Filippo Scotti, Toni Servillo, Teresa Saponangelo, Marlon Joubert, Luisa Ranieri, Renato Carpentieri, Massimiliano Gallo, a produção de Sorrentino para a Netflix revive sua juventude em Nápoles durante a "era Maradona", em uma obra declaradamente pessoal e autobiográfica.

O longa narra a história de Fabietto Schisa, de 17 anos, um menino desajeitado que encontra alegria em uma família extraordinária que ama a vida, até que alguns eventos mudam tudo. Um deles é a chegada a Nápoles do ídolo do futebol da década de 1980, Diego Maradona. Já o outro é um acidente dramático que fará Fabietto atingir o fundo do poço, mostrando-lhe o caminho para o seu futuro.

O nome do filme, "Mão de Deus", é uma referência ao famoso gol do craque argentino na partida contra a Inglaterra, na Copa do México, em 1986. Na abertura, inclusive, Sorrentino cita uma frase de Maradona, seguida de um aposto provocativo: "O melhor jogador de todos os tempos".

"É uma metáfora bela e emblemática. É um título que remete ao acaso ou ao divino, acredito no poder semidivino de Maradona", disse Sorrentino que, quando menino, só para ver o jogo do Napoli, não foi com seus pais em um habitual fim de semana nas montanhas de Roccaraso, onde morreram devido a um vazamento de gás.

"Eu fiz 50 anos, e todo aquele amor vivido e toda aquela dor poderiam ser diminuídos em uma história cinematográfica. Em suma, senti-me com idade ou maturidade para enfrentar isso. Durante anos fiz um monólogo interior com o passado, bloqueei as memórias, o filme, claro, é uma tentativa de libertação, se der certo eu vou descobrir com o tempo", contou o diretor à ANSA.

O filme será lançado em cinemas selecionados na Itália em 24 de novembro e na Netflix em 15 de dezembro de 2021.

Já a produção de Schrader, batizada de "O colecionador de cartas" traz Oscar Isaac no papel de William Tell, um ex-militar que participou da operação na famigerada prisão de Abu Ghraib, onde iraquianos foram torturados por soldados americanos, e que agora vive profissionalmente de jogos de azar.

 Fora da competição oficial, Daniel Geller e Dayna Goldfine falam sobre um dos maiores compositores americanos no documentário "Hallelujah: Leonard Cohen, a Journey, a Song". Em Orizzonti, o realizador e videoartista Yuri Ancarani compete com a Veneza secreta dos adolescentes contada em Atlantide.

O segundo dia do Festival de Veneza também contou com a exibição de "The Power of Dog", de Jane Campion, que volta a disputar o Leão de Ouro 21 anos depois da última vez em que competiu no Lido.

Adaptação do romance homônimo de Thomas Savage, o filme -mais um da Netflix - é estrelado por Benedict Cumberbatch e Kirsten Dunst e conta uma história de isolamento e a necessidade de amor em que enfrentam.