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07/07/2020 as 10:00

Agora peste bubônica? Virologista avalia riscos de propagação desta praga

"A bactéria, o patógeno da peste, é transmitida tanto por contato direto quanto por picadas de pulgas

Agência Sputnik
Foto: © AFP 2020 / CDC / SPUTNIK<?php echo $paginatitulo ?>

Transmissão de peste bubônica entre pessoas só é possível através de contato pessoal, sendo raríssima propagação em zonas fora do habitat de marmotas, defende virologista russa.
Este posicionamento foi defendido por Galina Kompanets, pesquisadora líder do Laboratório de Virologia Experimental do Instituto Somov de Investigação Científica de Epidemiologia e Microbiologia, em declarações à Sputnik.

Os comentários da cientista surgiram em seguimento a relatos de que casos de peste bubônica foram detectados na Mongólia e na China, em uma região que faz fronteira com a república russa de Altai.

A cientista declarou que existem bolsas naturais de peste em quase todos os lugares do mundo, situando-se na Eurásia – sobretudo no norte da China e da Mongólia – seus principais focos, sendo seus hospedeiros e veículos transmissores as marmotas.

"A bactéria, o patógeno da peste, é transmitida tanto por contato direto quanto por picadas de pulgas. Pessoas podem ser infectadas se entrarem em contato com um animal doente ou se forem mordidas por uma pulga", detalhou Kompanets.
Segundo a cientista, o último caso registrado foi por contato com um animal doente, que foi pego.

Contudo, Kompanets chama a atenção para o fato de ser indiferente se o animal portador do patógeno está vivo ou morto.

"As bactérias vivem em sangue e secreções por tempo suficiente. Dado que o agente causador é muito contagioso [...], a peste é considerada uma infecção particularmente perigosa", podendo facilmente infectar funcionários da saúde que lidem com doentes com peste bubônica.

A virologista explicou que a bactéria penetra no sangue através de ferida cutânea e atinge o gânglio linfático, onde o patógeno começa a se multiplicar, formando-se bulbos – inflamação de nódulos linfáticos, que crescem de tal maneira que se tornam visíveis a olho nu sob a pele.

"Normalmente, a bactéria não vai mais longe, ficando circunscrita a este nível. Mas se penetrar na corrente sanguínea, pode desenvolver uma forma pulmonar, e isso sim é perigoso, por se transmitir por gotículas no ar", alertou Kompanets.

A virologista observou que casos locais de peste bubônica são ocasionalmente relatados no continente americano e na China, estando relacionados à caça e à ingestão de carne de marmota.
Em séculos passados, roedores selvagens transmitiam a bactéria a ratazanas que a disseminavam pelos centros populacionais, como aconteceu com o surto de peste bubônica no século XIV, que teria vitimado de 75 milhões a 200 milhões de pessoas na Eurásia e África do Norte, dizimando até 60% da população europeia.

Mas com o surgimento de antibióticos, "hoje podemos controlar a doença, pois a peste bubônica é curada por eles. Mas não conseguimos nos livrar completamente do patógeno", explicou o virologista.

Atualmente, o foco transmissor já não são os ratos, mas, sim, as marmotas. Mesmo não sendo uma espécie migratória – inviabilizando a disseminação da doença por grandes áreas - o perigo surge quando o homem entra em contato com uma marmota infectada, seja caçando-a para comê-la ou para fazer dela animal de estimação.

A virologista conclui afirmando que os casos relatados são isolados e que nas áreas onde ocorreram há um controle e um rastreamento constante pelas autoridades sanitárias locais.