Mundo

26/05/2020 as 17:12

Agência da Itália suspende uso da hidroxicloroquina contra Covid-19

Droga só poderá ser usada no âmbito de testes clínicos

Agência: Ansa
Foto: Ansa<?php echo $paginatitulo ?>

(ANSA) - A Agência Italiana de Remédios (Aifa) suspendeu nesta terça-feira (26) a autorização do uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes que contraíram o novo coronavírus (Sars-CoV-2).

A droga só poderá ser usada no âmbito de estudos clínicos conduzidos em hospitais ou em domicílio.

Segundo a Aifa, a medida foi tomada por conta das novas evidências clínicas sobre a utilização da hidroxicloroquina, incluindo um aumento do risco de reações adversas ante "benefícios escassos ou ausentes", e que os medicamentos experimentais indicados são monitorados constantemente.

"Em particular, a hidroxicloroquina, como há falta de indicação terapêutica específica para a Covid-19, foi tornada disponível [para tratamento] levando em conta evidências científicas preliminares em pacientes Covid- 19 e perante um perfil de toxicidade que parecia consolidado no usos clínicos já autorizados para o tratamento crônico das doenças reumáticas. A posição da Agência foi portanto aquela de testar o uso, com dosagem e tempo indicado nos protocolos, no contexto de uma acurada avaliação da relação risco/benefícios nos casos", diz a nota oficial.

A Agência ainda reforçou que nunca recomendou o uso da hidroxicloroquina como forma de prevenir a Covid-19 e que o medicamento deve continuar sendo usado normalmente em pacientes que já usam a droga para curar doenças reumáticas. A nota ainda destaca que até o momento não foi registrado no país "um aumento no risco de reações adversas " nos pacientes que usaram o remédio.

O anúncio vem poucas horas depois de uma decisão similar tomada pela França.

Ambas têm como base um estudo divulgado na última sexta-feira (22), na revista científica "The Lancet", com 96 mil pacientes, que mostrou que o uso da hidroxicloroquina e da cloroquina, além de não ajudar na cura da doença, aumentava o risco de morte e de arritmias cardíacas graves.

Nesta segunda-feira (25), a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a suspensão temporária dos testes clínicos com a droga até uma análise mais ampla sobre a segurança do medicamento.

Ressaltando que a suspensão se aplicava apenas nos casos da Covid-19, a OMS ressalta que a droga é segura nos tratamentos em que já é usada - como no caso da lúpus e da malária. (ANSA)