Geral

20/11/2019 as 05:31

MST vive 'espera' na era Bolsonaro: 'Não é o momento de confrontar o proprietário'

"Essa é nossa capacidade imediata de mobilização, mas nossa base entende que a correlação de forças é adversa

Agência Sputnik
Foto: ABr<?php echo $paginatitulo ?>

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Brasil vive um estágio de resistência, esperando que o equilíbrio de forças não seja tão adverso para a organização e mobilizador para lutas mais gerais, disse um dos seus fundadores, João Pedro Stédile, à Sputnik.

"Nós, como MST, adotamos uma tática que chamamos de resistência ativa: resistimos, tentamos explicar às pessoas o que está acontecendo, mas levando em consideração os limites que a correlação de forças nos impõe", afirmou o líder do grupo.
Stédile acrescentou que atualmente o MST tem cerca de 80.000 famílias "acampadas" em todo o país, nas estradas e nas fazendas.

"Essa é nossa capacidade imediata de mobilização, mas nossa base entende que a correlação de forças é adversa. Portanto, permanecemos em um tempo de espera. Não é o momento agora de confrontar diretamente o proprietário, porque isso pode resultar em uma violência em que os únicos que perdemos somos nós", analisou.

Stédile explicou que "desde que" a Reforma Agrária do governo de Michel Temer (MDB) ficou paralisada, "não há mais desapropriações de terras".

"Do ponto de vista das conquistas concretas, da terra para o trabalho, não poderemos avançar, por isso temos que organizar nosso povo para que ele fique mais ligado às lutas gerais da classe trabalhadora e do povo em geral, ou seja, à luta política", afirmou o ativista.
Por esse motivo, acrescentou, a organização colocou "muita energia" na campanha pela libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No início deste mês, a justiça brasileira decidiu que é inconstitucional a prisão de alguém até que ele tenha esgotado todos os recursos, o que significou a libertação imediata de Lula da prisão, onde passou 580 dias cumprindo uma sentença de oito anos e 10 meses por corrupção e lavagem de dinheiro.

Stédile destacou que, exceto em alguns estados do país, especialmente no Nordeste, onde existem governos estaduais progressistas, o movimento não avançou na tomada de terras.

"Em geral, há uma parada completa, não apenas da Reforma Agrária, mas de todas as políticas públicas que de alguma forma com Lula e [a ex-presidente] Dilma [Rousseff] favoreceram o campesinato. Não são apenas aqueles sem terras que estão sendo excluídas, todo o campesinato brasileiro está sendo excluído", afirmou o líder.

As origens do MST datam da década de 1970, no meio da ditadura militar, quando camponeses do nordeste do país começaram a se mobilizar para colonizar terras despovoadas e improdutivas naquela área, embora o primeiro congresso nacional do movimento tenha sido em janeiro de 1985, data que para muitos foi fundamental.

Atualmente, a organização está presente em 24 dos 26 estados do Brasil.