Economia

26/05/2020 as 16:01

'Desentendimento dos 3 poderes' contribui para desvalorização do real, diz especialista

O risco Brasil medido pelo CDS (Credit Default Swap) subiu 220% em 2020, enquanto na média dos países emergentes a alta foi de 77%

Agência Sputnik
Foto: © AFP 2020 / VANDERLEI ALMEIDA / SPUTNIK<?php echo $paginatitulo ?>

O banco Credit Suisse divulgou relatório em que classificou a moeda brasileira como "tóxica" e na lista das divisas de países fiscal ou politicamente expostos. Divisa acumula perda de 29% ante o dólar no ano e é a que mais sofre entre as moedas dos países emergentes.
A desvalorização de quase 30% do real em relação ao dólar desde o início do ano reflete uma aversão à moeda brasileira que não era vista há quase 20 anos e que já levou à classificação da divisa nacional como um "ativo tóxico" por bancos estrangeiros.

O risco Brasil medido pelo CDS (Credit Default Swap) subiu 220% em 2020, enquanto na média dos países emergentes a alta foi de 77%.

O economista-chefe do banco Modal Mais, Alvaro Bandeira, em entrevista à Sputnik Brasil, explicou que uma "moeda tóxica" representa uma moeda que representa algum risco em relação às moedas mais fortes, como o dólar e o euro.

"Não existe um momento específico de ser considerada uma moeda tóxica, mas sim a partir da desvalorização dessa moeda em relação ao parâmetro dólar, em relação às expectativas dos investidores em função do país, e o futuro desse país", observou o economista.

"Nesse momento o real é uma das moedas mais desvalorizadas do mundo, segundo a avaliação internacional, e no Brasil a gente segue exposto junto com outros parceiros, como a África da Sul e a Turquia, por exemplo, considerados pelo FMI como os países de maior risco", acrescentou Alvaro Bandeira.
Ao comentar as causas da desvalorização da moeda brasileira, o economista destacou fatores como o desequilíbrio na política econômica, a relação entre dívida e PIB, déficit fiscal elevado, reformas adiadas, além do "forte ruído político e o desentendimento entre os três poderes", o que, segundo o especialista, "certamente dificulta o ajuste da economia no médio e longo prazo".